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Um herói chamado rio Preto

Na última Sexta-feira, por volta das 19 horas, quando me dirigia para a chácara do Antun Tomaz para o habitual futebol de final de semana, deparei-me com uma pequena multidão sobre o viaduto Jordão Reis, e às margens do rio Preto, naquele local. Curioso, parei e indaguei a razão às pessoas postadas no parapeito do viaduto e a resposta foi: "piracema de peixes".

         Como já estava na hora de garantir meu lugar no concorrido futebol, fui embora, mas levei comigo a expressão do meu interlocutor: "piracema de peixes". O que me fazia fixar sobre o assunto não era o pleonasmo, mas o próprio significado ambiental do fenômeno, a própria piracema. Piracema no rio Preto, e logo abaixo da represa, quando o rio é violentado com toneladas diárias de matéria fecal humana, capaz de criar um ambiente hostil à macro fauna aquática? Como poderia isto acontecer num ambiente onde a DBO( Demanda Bioquímica de Oxigênio) é elevadíssima, isto é, onde os níveis de oxigênio livre dissolvido, indispensável à respiração dos peixes são tão baixos?

        Durante todo o trajeto até a chácara do Antun meditei sobre o assunto e, acho, acabei encontrando uma explicação para o fato.

         De fato, existem alguns peixes capazes de tolerar níveis baixíssimos de oxigênio dissolvido na água. Mas, com as chuvas, a vazão do rio havia aumentado( seguramente dobrado naquele momento) e com isto, diluído a carga orgânica  e diminuindo os valores da DBO, tornando o ambiente menos hostil a peixes já acostumados a ambientes hostis.

         Porém, uma idéia complementar associou-se a esta explicação: não seria, talvez, esta piracema, um grito de socorro do próprio rio, dirigido a todos nós, para que o salvemos? Não seria ela um libelo acusatório contra todos nós que só fazemos por agredir e tentar matar, diariamente, um rio que, alem de nos ter dado seu próprio nome, garante o saciar da sede da cidade que abrigou em suas margens? Não seria um grito de protesto contra todos aqueles que o julgam morto e , desta forma, pouco ou nada fazem para sua recuperação e proteção?

         Dias antes, na Quarta feira anterior, estava eu proferindo palestra na Faculdade de Engenharia, promovida pela direção da escola, e abordava exatamente problemas ambientais da cidade, entre eles, a precária situação em que se encontravam nossos recursos hídricos. Mostrei os problemas e suas conseqüências faturas e , no final, com muita ênfase, deixei aos presentes a mensagem de que, apesar dos maus tratos, o rio Preto ainda estava vivo; ainda suportava a condição de fornecedor de mais de 40 milhões de litros/dia de água bruta para tratamento e distribuição à população, uma água que bem tratada, pode ter  muito boa qualidade. Aliás, esta sempre foi a minha posição; sempre lutei para a criação de mecanismos eficientes de recuperação, de proteção, de saneamento, enfim, de toda a bacia do rio Preto, garantindo sua perpetuação como recurso renovável para nossos descendentes. Sempre abjurei a idéia de abandoná-lo à sua própria sorte.

         Talvez, por isso, ao passar por ele, na Sexta-feira ultima, o episódio da piracema, entre tantas outras mensagens, possa também ter sido uma manifestação de amizade do rio para comigo. Afinal, de há muito que eu o elegi um rio herói: meu rio herói.( Extraido do livro "Planeta Água", Ed. 2001-Samir Felicio Barcha e publicado no Diário da Região, SJRio Preto,S.P.)


Crise da água em Rio Preto? - 05/06/2012 - 00:00

 

Rio preto é uma das cidades brasileiras que mais possuem poços semi-artesianos . Muito embora não haja dado oficial, minha estimativa é de que o número supere a casa dos quatro mil, apenas no perímetro urbano. Isto significa um rol de preocupações que não podem ser ignoradas: exploração predatória, ausência de controle oficial, qualidade da água consumida, vulnerabilidade do lençol subterrâneo, desperdício e, finalmente, esgotamento das reservas hídricas. Este quadro levou o Comitê da Bacia Hidrográfica Turvo-Grande, através de sua Câmara Técnica de Água Subterrânea, a solicitar do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, um estudo para o levantamento dos problemas e recomendações para sua solução ou mitigação. Por determinação deste órgão, o DAEE contratou equipe de técnicos - Servmar (por licitação pública) e durante quase dois anos de trabalho de campo, um cenário foi apresentado, onde se vislumbram situações nada confortáveis para a cidade, para a população que se vale da água subterrânea extraída do aqüífero Bauru (nosso principal manancial da matriz de abastecimento de Rio Preto). O projeto - Restrição e controle de uso da água subterrânea em São José do Rio Preto levantou pouco mais de dois mil poços semi-artesianos na cidade. Destes, 368 são poços com outorga de uso fornecida pelo DAEE, 195 são de uso próprio do Semae e o restante , cerca de 1440, sem outorga, isto é, poços clandestinos que representam um universo de 72% em descumprimento à legislação estadual. Se considerarmos que o número total de poços na cidade, como eu calculo, ultrapassa quatro mil, este universo de poços clandestinos, seguramente, vai além dos três mil. Os estudos da Servmar sugerem que o Sistema Aqüífero Bauru é responsável pelo abastecimento de cerca de 65% de toda a demanda de água da cidade e que a parcela utilizada por usuários privados é de aproximadamente 55% o que representa 35% de toda água consumida na cidade( somar aqui a contribuição do rio Preto e do Guarani). Estes dados,por si só já suscitam preocupações; se considerarmos a possibilidade de que o número de poços particulares seja maior do que aquele utilizado neste estudo, a situação é menos confortável ainda( se é que ela tenha alguma conotação de confortável). Como o prezado leitor sabe, o aqüífero é um conjunto de rochas capaz de armazenar e fornecer água sendo, por isso, a principal fonte de água doce disponível em todo o mundo. No caso em questão, o aqüífero Bauru, na área estudada ,que abrange todo o perímetro urbano de Rio Preto, não considerando a reserva total que ele possui, mas apenas aquela que pode fornecer sem se comprometer, a chamada disponibilidade hídrica, é da ordem de 9,7 milhões de m3/mês, conforme mostram os dados da pesquisa. Considerando-se os dois mil poços que o estudo levantou, o volume de água explorado é da ordem de 3,16 milhões de m3/mês, isto é, 30% do total. Isso poderia significar uma folga muito grande, uma condição segundo a qual poderíamos estar explorando o recurso hídrico indefinidamente, sem problemas. Porém, os poços semi-artesianos que exploram o Bauru possuem um distribuição irregular, de forma que na área central da cidade se registra um número muito grande deles, às vezes algumas dezenas em 250 mil m2, de forma a introduzir um desequilíbrio preocupante entre a recarga do aqüífero e a exploração, nesta área. Os dados mostram que nesta área crítica de cerca de 80 km2, a retirada de água é 2,5 maior do que a recarga. Não se deve desprezar a hipótese de que o número de poços clandestinos seja bem maior do que a considerada neste estudo. Caberá ao Comitê de Bacia do Turvo-Grande, com base nestes resultados, sugerir ao DAEE e ao Conselho Estadual de Recursos Hídricos, a adoção de medidas visando proteger o aqüífero, especialmente na área critica da cidade, estabelecendo critérios de controle de exploração, de perfuração de novos poços . Os dois mil poços que exploram o Bauru, segundo a pesquisa,somados aos poços do Sistema Aqüífero Guarani e à captação superficial, através da ETA, representam um consumo diário de 400 litros/dia/habitante, o que é um número exorbitante, porque não insustentável, e que dá uma idéia de como gastamos água realmente. Mas se o número de poços do Bauru for maior do que este, o que acreditamos que seja, este consumo ultrapassa as raias do absurdo. Olha o que nos aguarda o futuro próximo.

 Prof. Samir Felício Barcha

Centro de Pesquisas Ambientais

Membro da Academia Rio-pretense de Letras e Cultura.




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